A redundância da atenção estendida.

"A existência de que estamos mais certos e que melhor conhecemos é incontestavelmente a nossa própria, visto que a respeito de todos os outros objectos temos noções que podem ser tidas como exteriores e superficiais, enquanto de nós próprios temos uma percepção interior e profunda. Que verificamos então?Qual é, neste caso privilegiado, o exacto sentido da palavra "existir"? Recordemos, em poucas palavras, as conclusões dum trabalho anterior.
Verifico em primeiro lugar que passo dum estado para outro. Sinto calor ou frio, estou alegre ou triste, estou trabalhando ou sem nada fazer, contemplo aquilo que me rodeia ou penso em outra coisa. Sensações, sentimentos, volições, representações, são modificações entre as quais a minha existência se partilha, e que ora a tingem duma cor, ora de outra. Assim mudo constantemente. Mas não é tudo. A modificação é muito mais radical do que pode parecer à primeira vista."