O lugar da morte dos sonhos

" Quem no seio de certas angústias, no âmago de alguns sonhos não conheceu a morte como uma sensação que despedaça e é maravilhosa, que se não pode confundir com nada na lei do espírito? Só tendo conhecido essa aspirante maré de angústia de ondas que aparecem a bater-nos e fazem inchar como accionadas por insuportável bofetada. A angústia que chega e se afasta cada vez mais espessa, cada vez mais pesada e farta. É o próprio corpo no limite de distensão e forças e que assim mesmo deve chegar mais longe. É uma espécie de ventosa que assentou na alma, de acidez que escorre como um vitríolo até aos derradeiros marcos do sensível. E a alma sem recurso, ao menos, para se quebrar. Porque a própria distensão é falsa.Por tão pouco não é possível contentar a morte. 



Essa distensão no plano físico é como que invertida imagem de um aperto que deve ocupar o espírito ao correr de todo o corpo vivo."