Do pensar à palavra topográfica

"Pensar não é unificar, tornar familiar a aparência, dando-lhe a forma de um grande princípio.Pensar é reaprender a ver, dirigir a consciência, fazer de cada imagem um lugar priviligiado. Por outras palavras, a fenomenologia recusa-se a explicar o mundo, quer ser tão-só uma uma descrição do vivido.


Une-se o pensamento absurdo na sua afirmação inicial de que não há verdade, mas somente verdades. É a consciência que a ilumina pela atenção que lhe dá. A consciência não constitui o objecto do seu conhecimento, apenas fixa, é o acto de atenção, e, para retomar uma imagem bergsoniana, parece-se com o aparelho de projecção que, de repente, se fixa numa imagem. A diferença é que não existe cenário, mas uma ilustração sucessiva e inconsequente. Nessa lanterna mágica, todas as imagens são previligiadas. A consciência põe em suspenso na experiência os objectos da sua atenção. Como que miraculosamente, isola-os. Estão, desde então, fora de todos os juízos. É essa "intenção" que caracteriza a consciência. Mas a palavra não implica nenhuma ideia de finalidade; é tomada no seu sentido de "direcção": só tem valor topográfico."