Passio


"Mas a paixão muitas vezes está associada à posse...
Se tem a ver com a posse não é paixão.
Bom, mas vamos então à posse: se uma pessoa faz as coisas no mundo "por", é uma coisa; se as pessoas fazem alguma coisa "para", é diferente. Ao entrarmos na sala de um museu, ou de vários museus, é-nos indirectamente comunicada uma ideia e um sentimento da pintura. Se um pintor que tem a paixão da pintura pinta, e se o que ele quer é só "ser", então basta ver a sua obra para também captarmos um determinado sentimento acerca da pintura.
Eu costumo dizer que Van Gogh se suicidou porque até o fim da vida não conseguiu que o reconhecessem como pintor. Bom, Deus criou "por" (não "para"). O pintor que pinta para depois vender o quadro, pintou "para". Quem ama, ama "por", não há confusão possível com o verbo "ter". Às vezes, é muito difícil viver bem com o "por", porque o "para" entra muito em conflito com o "por"."