Assento numa meia-lua


"Embora, pr'á rua!Ar!Continua a chover. Mas o qu'é que passa? Tenho qu'arranjar outra. primeiro vamos é pôr o sono em dia. Ó Franz, o qu'é que se passa contigo, afinal? A potência sexual obtém-se pela acção combinada 1. do sistema endócrino, 2. do sistema nervoso e 3. do aparelho sexual. As glândulas intervenientes são; a hipófise, a tiróide, as supra-renais, a próstata, as vesículas espermáticas e os epidídimos.A glândula espermática é preponderante no sistema. Através da substância por ela segregada, todo o aparelho sexual é activado no córtex cerebral aos órgãos genitais. O estímulo erótico desencadeia a tensão erótica do córtex cerebral, a corrente desloca-se como excitação erótica do córtex cerebral até ao centro de comando no diencéfalo. Depois a excitação rola pela medula abaixo. Não sem entraves, pois antes de deixar o cérebro tem de passar pelos travões das inibições, aquelas predominantemente psíquicas que desempenham papel significativo sob a forma de escrúpulos morais, falta de autoconfiança, medo do ridículo, medo do contágio e da concepção e quejandos."

Oficina


"É uma tolice lucubrar pedantemente sobre o fabrico de objectos - material didáctico, brinquedos ou livros - apropriados a crianças. Desde o Iluminismo, essa é uma das especulações mais bafientas dos pedagogos. O seu entusiasmo pela psicologia impede-os de reconhecer que o mundo está repleto dos mais incomparáveis objectos de atenção e exercício infantil. E os mais apropriados. De facto, as crianças são particularmente propensas a procurar todo e qualquer local de trabalho onde seja visível a criação de objectos. Sentem-se irresistivelmente atraídas pelos desperdícios que ficam da construção, do trabalho de jardinagem ou doméstico, da alfaiataria ou da carpintaria. Reconhecem nos restos o rosto que o mundo das coisas lhes mostra, precisamente a elas, a elas somente. Neles, as crianças não imitam tanto o mundo dos adultos, como, através daquilo que com eles constroem nas suas brincadeiras, criam uma nova relação súbita entre os materiais mais diversos. Assim, as crianças criam, elas próprias, o seu mundo das coisas, um mundo pequeno dentro do grande mundo. Deveríamos ter em consideração as normas deste pequeno mundo das coisas quando deliberadamente quisermos criar algo para as crianças, em vez de preferirmos que a nossa actividade, com tudo quanto nela é requisito e instrumento, encontre, por si mesma, o caminho que a elas conduz. "

Da Democracia


"O isolamento dos Estados Unidos ajudou os nacionalistas, que foram apoiados por muitos influentes simpatizantes em Washington. O governo tinha tacitamente apoiado uma política não-intervencionista, desde o início. Nos finais de 1936, quando a força aérea foi embarcada para a Espanha republicana através de uma companhia privada, Roosevelt introduziu uma legislação que o pudesse impedir. Contudo, a carga partiu a bordo do Mar Cantabrico algumas horas antes da lei entrar em vigor: O navio mercante espanhol carregou mais material no México e, então, fingindo ser britânico, dirigiu-se para as águas bascas. Não valeu, contudo, a pena, pois o cruzador nacionalista Canarias largou de El Ferrol no da 4 de Março para esperar por ele. O Mar Cantabrico foi capturado em 8 de Março e todos os marinheiros espanhóis foram executados. Ainda hoje não se sabe quem é que avisou os nacionalistas da sua rota."

La asistencia a clase no sería obligatoria


"probablemente el mejor modelo sea el del pedagogo ateniense que recorría la ciudad con sus alumnos; pero, para ello, las calles y los lugares de trabajo de la ciudad tendrían que ser mas seguros y accesibles de lo que son. La condición urbanística previa consiste en que los niños puedan usar la ciudad, ya que ninguna ciudad es gobernable si los ciudadanos que crecen en ella no la sienten suya. El objetivo de la pedagogía elemental resulta muy modesto: para un niño pequeño lo más adecuado es curiosear por su cuenta cualquier cosa que pase y ser capaz de extraer por sus propios medios, y gracias a la observación, las preguntas o la imitación práctica, alguna conclusión. En nuestra sociedad, este sistema funciona bastante bien en casa hasta los 4 años, pero después se vuelve terriblemente complicado"


Homo brutus


"Comecei assim a acreditar nas descrições literais dos meus amigos Quirishari, mesmo quando não compreendia os mecanismos do seu saber.
Por outro lado, ao partilhar o seu quotidiano, era continuamente surpreendido pelo seu profundo sentido prático. Não se falava em fazer coisas; elas faziam-se, simplesmente. Por exemplo, um dia em que caminhava pela floresta na companhia de um homem chamado Rafael, mencionei o facto de precisar de um cabo novo para o meu machado. Ele deteve-se e de imediato, dizendo "ah, sim" e depois cortou com o seu machete uma pequena árvore de madeira dura a alguns passos do trilho, e começou a esculpir um cabo impecável que iria durar mais tempo do que o próprio machado. Trabalhou cerca de vinte minutos no local, em plena floresta para fazer o grosso do trabalho, e vinte minutos suplementares em casa, para ajustamentos finais. Trabalho perfeito, feito a olho. Até então eu sempre pensara que os cabos de machado se compravam nas lojas de ferragens.
Uma atitude comum das pessoas Quirishari era ensinar através do exemplo, e não pela explicação. Assim, os pais encorajavam os filhos a acompanhá-los nas suas actividades. A frase "deixa o pai sossegado, ele está a trabalhar" era desconhecida. As pessoas desconfiavam das explicações abstractas. Quando uma ideia lhes parecia realmente má, diziam com desdém: "Es pura teoría". As duas palavras-chave que utilizavam a propósito de tudo e de nada das nossas conversas eram prática e táctica - decerto por serem essenciais para se viver na floresta tropical.
A paixão dos Ashaninca pela prática explica, pelo menos em parte, o seu fascínio geral pela tecnologia industrial. Um dos seus tópicos de conversa consistia em perguntar como fabricava eu os meus objectos: caixas de cassetes, isqueiros, botas de borracha, canivete suíço, pilhas eléctrica, etc. Quando respondia que não sabia como fazê-los, ninguém parecia acreditar."

Conxiencia

"Una crónica periodística sobre un campamento en Lancashire, realizada tras el primer invierno desde la ocupación, nos ofrece un relato muy clarificador acerca de las diferencias entre los okupas "oficiales" y "no oficiales":

  Existen dos campamentos dentro del propio campamento: los okupas oficiales (aquellos que se alojaran en las barracas tras la primera ocupación) y los okupas no oficiales (los veteranos, a los que se les ha permitido quedarse). Todos pagan el mismo alquiler de 10 chelines a la semana, pero aquí terminan las analogías. Aunque uno imagine que el pago del alquiler les proporciona a ambos idénticos privilegios , en realidad no es así. Los albañiles han levantado tabiques en las barracas de los okupas oficiales y les ha instalado lavabos y muchas otras comodidades. Las ovejas negras han tenido que valerse por sí mismas.
Una joven asistente social y funcionaria asignada al departamento de vivienda comentó la situación. En su visita de inspección encontró que las ovejas negras se habían puesto a trabajar con determinación, improvisando tabiques, componiendo cortinas, enluciendo, pintando y usando su iniciativa. Los okupas oficiales, por el contrario, se cruzaban de brazos con desidia, incapaces de iniciativa alguna o de alzar las manos para mejorar su situación, y lamentaban su suerte, incluso aunque provinieran de las más espantosas chabolas. Hasta que no llegaban los trabajadores de la sobrecargada corporación, ellos no hacían el más mínimo esfurzo para arreglar las cosas por su cuenta.

Este relato dice mucho del estado mental al que induce la acción libre e independiente y sobre aquel al que la dependencia y la inercia: la diferencia entre las personas que toman la iniciativa frente a las personas para quienes las cosas simplemente ocurren."


Orden Mundial


"Hay un orden impuesto por el terror, un orden aplicado por la burocracia (con el respaldo de la policía) y un orden que emana espontáneamente del hecho de que somos animales gregarios capaces de forjar nuestro proprio destino. Cuando se hallan ausentes los dos primeros, el tercero,como una forma infinitamente más humana, tiene la oportunidad de surgir. La libertad, como dijo Proudhon, es la madre del orden, no la hija."

Behaviorismo



"La última etapa de la sociedad laboral exige de sus miembros una función puramente automática, como si la vida individual se hubiera sumergido en el total proceso vital de la especie y la única decisión activa que se exigiera del individuo fuera soltar, por decirlo así, abandonar su individualidad, el aún individualmente sentido dolor y molestia de vivir, y conformarse con un deslumbrante y «tranquilizado» tipo funcional de conducta. Lo malo de las modernas teorías de behaviorismo no es que sean erróneas, sino que podrían llegar a ser verdaderas, que en realidad son las mejores conceptualizaciones posibles de ciertas claras tendencias de la sociedad moderna. Resulta fácilmente concebible que la Época Moderna -que comenzó con una explosión de actividad humana tan prometedora y sin precedente- acabe en la pasividad más mortal y estéril de todas las conocidas por la historia.
Pero aún existen otras indicaciones más peligrosas de que el hombre desee y esté a punto de evolucionar en esa especie animal de la que, desde Darwin, imagina que procede. Si volvemos una vez más al descubrimiento del punto de Arquímedes y lo aplicamos al propio hombre -cosa que Kafka nos advirtió que no hiciéramos - y a lo que hace en esta Tierra, de inmediato se hace manifiesto que todas sus actividades, observadas desde un punto del universo suficientemente alejado y ventajoso, no parecerían actividades sino procesos, de manera que, como ha señalado recientemente un científico, la motorización moderna parecería un proceso de mutación biológica en el que los cuerpos humanos comienzan gradualmente a cubrirse de caparazones de acero."

A ponta da lança de Quixote



“O facto de que a Reforma, evento inteiramente diferente, ter acabado por nos colocar perante um fenómeno semelhante de alienação, que Max Weber identificou, sob o nome de “ascetismo do mundo interior”, como as mais recôndita fonte da nova mentalidade capitalista, talvez seja uma das muitas coincidências que tornam tão difícil ao historiador deixar de acreditar em fantasmas, demónios e Zeitgeists. O que mais nos surpreende e perturba é ver semelhança onde as coisas mais divergem.Pois essa alienação no sentido de um mundo interior nada tem a ver, em intenção ou conteúdo, com a alienação em relação à Terra, decorrente da descoberta e da posse do Planeta.
Além disso, a alienação no sentido em direcção a um mundo interior, cuja a autenticidade histórica Max Weber demonstrou no seu famoso ensaio, está presente não apenas na nova modalidade resultante das tentativas de Lutero e Calvino de restaurar a inflexivél qualidade extramundana da fé cristã; está igualmente presente, embora a um nível inteiramente diverso, na exproprieção dos bens da Igreja e, como tal, o factor isolado mais importante no colapso do sistema feudal. Naturalmente, seria ocioso especular sobre o que teria sido o curso da nossa economia sem esse evento, cujo impacte lançou a humanidade ocidental num rumo de coisas em que toda a propriedade esra destruída no processo de expropriação, tudo era devorado no processo de produção, e a estabilidade do mundo era minada num constante processo de mudança. Tais especulaçãoes, porém, são significativas na medida em que nos fazem lembrar que a história é uma série de eventos, e não de forças ou ideias de curso previsível. São ociosas e até perigosas quando usadas como argumento contra a realidade, ou quando se destinam a indicar potencialidades e alternativas positivas, visto que o seu número é ilimitado por definição e lhes falta a tangível inesperabilidade do evento, que elas procuram compensar com a mera plausibilidade. Assim, não deixam de ser fantasmas, por mais prosaica que seja a forma sob a qual são apresentadas.

Para que não subestimentos o impacte que este processo adquiriu através de séculos de desenvolvimento quase desenfreado, convém talvez reflectir sobre o chamado “milagre económico” alemão do pós-guerra, que só é milagre se visto dentro de um sistema de referência ultrapassado. O exemplo alemão demonstra claramente que, nas condições modernas, a expropriação de pessoas, a destruição de objectos e a devastação de cidades estimulam radicalmente um processo não de mera recuperação, mas de acumulação de riqueza ainda mais rápido e mais eficaz – bastando para isto que o país seja suficientemente moderno para reagir em termos de processo de produção. Na Alemanha, a destruição pura e simples substitui o inexorável processo de depreciação de todas as coisas mundanas, processo este que caracteriza a economia de desperdício na qual vivemos. 

O resultado foi quase o mesmo: um surto de prosperidade que, como demonstra a Alemanha do pós-guerra, se alimenta não da abusndância de bens materiais ou de qualquer outra coisa estável e dada, mas do próprio processo de produção e consumo. Nas condições modernas, a bancarrota decorre não da destruição, mas da conservação, porque a própria durabilidade dos objectos conservados é o maior obstáculo ao processo de reposição, cuja velocidade em constante crescimento é a única coisa constante que resta onde se estabelece esse proceso.”

Las cadenas rotas que soportan la ilusión




"Mientras los problemas de nuestra sociedad se sigan expresando en términos de política de masas y de "organización de masas", está claro que únicamente los Estados y los partidos de masas podrán ocuparse de ellos. Sin embargo, una vez que se comprende que las soluciones propuestas por los Estados y los partidos existentes resultan fútiles y nefastas, o las dos cosas a la vez, entonces no basta con buscar otras "soluciones": se hace necesario, ante todo, idear otro modo de plantear los propios problemas."

Modus operandi


"Quanto mais fácil se tornar a vida numa sociedade de consumidores ou de operários, mais difícil será preservar a consciência das exigências da necessidade que a impele, mesmo quando a dor e o esforço - manifestações externas da necessidade - são quase imperceptiveis. O perigo é que tal sociedade, deslumbrada com a abundância da sua crescente fertilidade e presa ao suave funcionamento de um processo interminável, já não seria capaz de reconhecer a sua própria futilidade de uma vida que "não se fixa nem se realiza em coisa alguma que seja permanentemente, que continue a existir depois de determinado o labor"

El ojo del navío y el elefante





"... Más grave parece la limitación impuesta por la capacidad para consumir, qué sigue ligada al individuo incluso cuando una fuerza colectiva de labor reemplaza al poder individual de labor. El progreso de la acumulación de riqueza puede ser ilimitado en una «humanidad socializada» que se ha zafado de las limitaciones de la propiedad individual y superado la limitación de apropiación individual disolviendo toda la riqueza estable, la posesión de cosas' «amontonadas» y «almacenadas», en dinero para gastar y consumir. Vivimos ya en una sociedad donde la riqueza se calcula en términos de ganancias y gastos, que no son más que modificaciones del doble metabolismo del cuerpo humano. Por lo tanto, el problema consiste en concertar el consumo individual con una ilimitada acumulación de riqueza. 
Puesto que la humanidad como un todo está muy lejos de haber alcanzado el límite de la abundancia, el modo de que se vale la sociedad para superar esta natural limitación de su propia fertilidad sólo es posible captarlo a modo de ensayo y a escala nacional. La solución parece ser bastante sencilla. Consiste en tratar todos los objetos usados como si fueran bienes de consumo, de manera que una silla o una mesa se consuman tan rápidamente como un vestido y éste se gaste casi tan de prisa como el alimento. Esta forma de intercambio con las cosas del mundo es perfectamente adecuada al modo en que son producidas. La revolución industrial ha reemplazado la artesanía por la iabor, con el resultado de que las cosas del Mundo Moderno se han convertido en productos de la iabor cuyo destino natural consiste en ser consumidos, en vez de productos del trabajo destinados a usarlos. De la misma manera que los útiles e instrumentos, aunque procedentes del trabajo, siempre se emplearon también en los procesos de la labor, así la división de ésta, enteramente apropiada y concertada con el proceso laboral, ha pasado a ser una de las principales características de los procesos del trabajo moderno, o sea, de la fabricación y producción de objetos de uso. La división de la labor, más que la creciente mecanización, ha reemplazado a la rigurosa especialización que anteriormente requería la artesanía. Ésta sólo se necesita para el diseño y fabricación de modelos antes de pasar a la producción masiva, que también depende de útiles y maquinaria. Pero, además, la producción masiva sería imposible sin reemplazar a los trabajadores y a la especialización por laborantes y la división de la labor."

Propriedade privada


(...) Até Platão, cujos planos políticos previram a abolição da propriedade privada e a expansão da esfera pública ao ponto de aniquilar completamente a vida privada, ainda falava com grande reverência de Zeus Herkeios, o protector das fronteiras, e chamava divinos aos horois, os limites entre os estados, sem nisso ver qualquer contradição.

  

(...) Um factor decisisvo é que a sociedade, em todos os seus níveis, exclui a possibilidade de acção, que antes era exclusiva do lar doméstico. Em vez de acção, a sociedade espera de cada um dos seus membros um certo tipo de comportamento, impondo inúmeras e variadas regras, todas elas tendentes a «normalizar» os seus membros, a fazê-los «comportarem- se», a abolir a acção espontânea ou a reacção inusitada

O círculo interior


No círculo interior do reino calcáreo das imagens, 
naquele ponto subtil onde o olhar da consciência projecta, 
sem se perder, um extremos fogo,
la onde o nervo se desprende enfim do pensamento a
repousar
sabe Deus em que estratificações astrais,
jaz a MORTE
como derradeiro sobressalto
de um saber
cheio de transes
mas SUSPENSO.

Ciência do inanimado

O papagaio

Havia em um dos arrabaldes de Lisboa um homem chamado Silva. Este Silva casará, já pouco jovem, com uma viúva que tinha uma filha meio mulher. A mulher do Silva passou cedo a dominal-o; e a enteada, á medida que crescia, mais e mais ajudava a mãe no seu imperio domestico.
O Silva passou a ser um trapo humano. Deixou de ter personalidade, vontade e logar. Em tudo, na vida domestica como na que não era, era uma sombra do desejo da mulher, quando o não era da vontade, por vezes até espontanea, da filha d'ella.
Como o dominio gera o desprezo, e o desprezo gera tudo, a mulher do Silva, apesar de não ser de espirito leviano, foi levada, pelas circumstancias, a trahir o marido. O amante, que era um individuo que fôra promovido a primo d'ella para effeitos decorativos, foi elevado a quasi residente na casa, e o Silva, que não podia ignorar a sua categoria sexual, tinha que o receber, que lhe sorrir bem e que lhe exprimir, por palavras e modos, o prazer que lhe dava excessiva visita. E assim fazia o Silva.
Mais tarde, conseguiu a mulher do Silva que o amante fosse nomeado por este gerente e administrador das suas propriedades, d'elle Silva. E assim seguia e se consumava o dominio do marido, mero animal pagante naquella engrenagem de domesticação.
Ora o Silva tinha um papagaio- ave já velha e nem porisso muito esperta:gritava mais do que fallava, era sempre a mesma coisa. Um dia a mulher do Silva, maçada, muito legitimamente, com o vozear do passaro, ergueu-lhe o poleiro da escápula sobre  o quintal e vendeu-o a um viandante qualquer.
Quando o Silva voltou, á noite, para casa, e lhe faltou, de ahi a minutos, a voz rouca da ave, procurou-a na escapula da parede sobre o quintal, não a viu, e foi á casa de jantar perguntar á mulher por ella.
"vendi-o", disse ella, e a enteada ria. O Silva retirou-se como de costume, sem dizer nada.
Foi, porem, ao quarto de cama, tirou o revolver da gaveta da mesa de cabeceira, voltou á casa de jantar e, com dois tiros calmos, certos e sucessivos, matou a mulher e a enteada.

Moralidade

Nações imperiaes e dominadoras,/expansivas/:não toquem no papagaio!

Querendo ser bairalina

"Temo que no se comprenda exactamente lo que yo entiendo por salida. Utilizo la palabra en su acepción mas llana y corriente. A propósito evito hablar de libertad. No me refiero a esa gran sensación de libertad hacia todos lados. Como mono quizá la conociera, y he conocido seres humanos que la deseaban ardientemente. En lo que a mí respecta, sin embargo, no he exigido libertad ni entonces ni ahora. A propósito: los hombres se engañan muy a menudo con la libertad. Y así como ésta se cuenta entre los sentimientos más sublimes, el engaño correspondiente también figura entre los más sublimes. Antes de salir a escena, en los teatros de variedades, he visto muchas veces a alguna pareja de artistas ejercitarse arriba, junto al techo, en los trapecios. Se lanzaban al aire, se balanceaban, saltaban, volaban uno a los brazos del otro, o uno de ellos sujetaba al otro por el pelo con los dientes. "Esto también es libertad humana!", pensaba yo, "movimiento libre y soberano." Oh escarnio de la sacrosanta naturaleza! Ningún edificio aguantaría en pie las carcajadas de los simios ante semejante visión.
No, no quería libertad. Solamente una salida; a la derecha, a la izquierda, a cualquier lado; no planteaba otras exigencias; aunque la salida solo fuera una ilusión no había de ser mucho mayor. Avanzar,avanzar! Nada de quedarse inmóvil con los brazos en alto, pegado a la pared de un cajón!




Hoy lo veo claro: sin esa gran calma interior jamás habría logrado evadirme. Y, de hecho, quizá deba todo cuanto he llegado a ser a la calma que se apoderó de mí tras esos primeros días allí, en el barco. Aunque esa calma se la debía, a su vez, a la gente del barco."

Entranseuntes


"Si de noche salimos a pasear por una calle y un hombre visible ya de lejos - pues la calle es empinada y hay luna llena - nos sale al encuentro, no lo detendremos aunque se lo vea débil y harapiento, ni aunque alguien corra detrás de él gritando, sino que lo dejaremos seguir su camino.
Porque es de noche y no es culpa nuestra que la calle sea empinada bajo la luna llena y ademas, quién sabe si esos dos no han organizado esa percusión para entretenerse, quizá el segundo quiera asesinarlo y nosotros seríamos cómplices del crimen, quizá los dos no sepan nada uno del otro y cada cual se dirija, bajo su propria responsabilidad, a su cama, quizá sean sonámbulos, quizá el primero lleve armas.
Y, por último, no tenemos derecho a estar cansados? No hemos bebido tanto vino? Nos alegramos de haber perdido de vista también al segundo."