Behaviorismo



"La última etapa de la sociedad laboral exige de sus miembros una función puramente automática, como si la vida individual se hubiera sumergido en el total proceso vital de la especie y la única decisión activa que se exigiera del individuo fuera soltar, por decirlo así, abandonar su individualidad, el aún individualmente sentido dolor y molestia de vivir, y conformarse con un deslumbrante y «tranquilizado» tipo funcional de conducta. Lo malo de las modernas teorías de behaviorismo no es que sean erróneas, sino que podrían llegar a ser verdaderas, que en realidad son las mejores conceptualizaciones posibles de ciertas claras tendencias de la sociedad moderna. Resulta fácilmente concebible que la Época Moderna -que comenzó con una explosión de actividad humana tan prometedora y sin precedente- acabe en la pasividad más mortal y estéril de todas las conocidas por la historia.
Pero aún existen otras indicaciones más peligrosas de que el hombre desee y esté a punto de evolucionar en esa especie animal de la que, desde Darwin, imagina que procede. Si volvemos una vez más al descubrimiento del punto de Arquímedes y lo aplicamos al propio hombre -cosa que Kafka nos advirtió que no hiciéramos - y a lo que hace en esta Tierra, de inmediato se hace manifiesto que todas sus actividades, observadas desde un punto del universo suficientemente alejado y ventajoso, no parecerían actividades sino procesos, de manera que, como ha señalado recientemente un científico, la motorización moderna parecería un proceso de mutación biológica en el que los cuerpos humanos comienzan gradualmente a cubrirse de caparazones de acero."

A ponta da lança de Quixote



“O facto de que a Reforma, evento inteiramente diferente, ter acabado por nos colocar perante um fenómeno semelhante de alienação, que Max Weber identificou, sob o nome de “ascetismo do mundo interior”, como as mais recôndita fonte da nova mentalidade capitalista, talvez seja uma das muitas coincidências que tornam tão difícil ao historiador deixar de acreditar em fantasmas, demónios e Zeitgeists. O que mais nos surpreende e perturba é ver semelhança onde as coisas mais divergem.Pois essa alienação no sentido de um mundo interior nada tem a ver, em intenção ou conteúdo, com a alienação em relação à Terra, decorrente da descoberta e da posse do Planeta.
Além disso, a alienação no sentido em direcção a um mundo interior, cuja a autenticidade histórica Max Weber demonstrou no seu famoso ensaio, está presente não apenas na nova modalidade resultante das tentativas de Lutero e Calvino de restaurar a inflexivél qualidade extramundana da fé cristã; está igualmente presente, embora a um nível inteiramente diverso, na exproprieção dos bens da Igreja e, como tal, o factor isolado mais importante no colapso do sistema feudal. Naturalmente, seria ocioso especular sobre o que teria sido o curso da nossa economia sem esse evento, cujo impacte lançou a humanidade ocidental num rumo de coisas em que toda a propriedade esra destruída no processo de expropriação, tudo era devorado no processo de produção, e a estabilidade do mundo era minada num constante processo de mudança. Tais especulaçãoes, porém, são significativas na medida em que nos fazem lembrar que a história é uma série de eventos, e não de forças ou ideias de curso previsível. São ociosas e até perigosas quando usadas como argumento contra a realidade, ou quando se destinam a indicar potencialidades e alternativas positivas, visto que o seu número é ilimitado por definição e lhes falta a tangível inesperabilidade do evento, que elas procuram compensar com a mera plausibilidade. Assim, não deixam de ser fantasmas, por mais prosaica que seja a forma sob a qual são apresentadas.

Para que não subestimentos o impacte que este processo adquiriu através de séculos de desenvolvimento quase desenfreado, convém talvez reflectir sobre o chamado “milagre económico” alemão do pós-guerra, que só é milagre se visto dentro de um sistema de referência ultrapassado. O exemplo alemão demonstra claramente que, nas condições modernas, a expropriação de pessoas, a destruição de objectos e a devastação de cidades estimulam radicalmente um processo não de mera recuperação, mas de acumulação de riqueza ainda mais rápido e mais eficaz – bastando para isto que o país seja suficientemente moderno para reagir em termos de processo de produção. Na Alemanha, a destruição pura e simples substitui o inexorável processo de depreciação de todas as coisas mundanas, processo este que caracteriza a economia de desperdício na qual vivemos. 

O resultado foi quase o mesmo: um surto de prosperidade que, como demonstra a Alemanha do pós-guerra, se alimenta não da abusndância de bens materiais ou de qualquer outra coisa estável e dada, mas do próprio processo de produção e consumo. Nas condições modernas, a bancarrota decorre não da destruição, mas da conservação, porque a própria durabilidade dos objectos conservados é o maior obstáculo ao processo de reposição, cuja velocidade em constante crescimento é a única coisa constante que resta onde se estabelece esse proceso.”