Assento numa meia-lua


"Embora, pr'á rua!Ar!Continua a chover. Mas o qu'é que passa? Tenho qu'arranjar outra. primeiro vamos é pôr o sono em dia. Ó Franz, o qu'é que se passa contigo, afinal? A potência sexual obtém-se pela acção combinada 1. do sistema endócrino, 2. do sistema nervoso e 3. do aparelho sexual. As glândulas intervenientes são; a hipófise, a tiróide, as supra-renais, a próstata, as vesículas espermáticas e os epidídimos.A glândula espermática é preponderante no sistema. Através da substância por ela segregada, todo o aparelho sexual é activado no córtex cerebral aos órgãos genitais. O estímulo erótico desencadeia a tensão erótica do córtex cerebral, a corrente desloca-se como excitação erótica do córtex cerebral até ao centro de comando no diencéfalo. Depois a excitação rola pela medula abaixo. Não sem entraves, pois antes de deixar o cérebro tem de passar pelos travões das inibições, aquelas predominantemente psíquicas que desempenham papel significativo sob a forma de escrúpulos morais, falta de autoconfiança, medo do ridículo, medo do contágio e da concepção e quejandos."

Oficina


"É uma tolice lucubrar pedantemente sobre o fabrico de objectos - material didáctico, brinquedos ou livros - apropriados a crianças. Desde o Iluminismo, essa é uma das especulações mais bafientas dos pedagogos. O seu entusiasmo pela psicologia impede-os de reconhecer que o mundo está repleto dos mais incomparáveis objectos de atenção e exercício infantil. E os mais apropriados. De facto, as crianças são particularmente propensas a procurar todo e qualquer local de trabalho onde seja visível a criação de objectos. Sentem-se irresistivelmente atraídas pelos desperdícios que ficam da construção, do trabalho de jardinagem ou doméstico, da alfaiataria ou da carpintaria. Reconhecem nos restos o rosto que o mundo das coisas lhes mostra, precisamente a elas, a elas somente. Neles, as crianças não imitam tanto o mundo dos adultos, como, através daquilo que com eles constroem nas suas brincadeiras, criam uma nova relação súbita entre os materiais mais diversos. Assim, as crianças criam, elas próprias, o seu mundo das coisas, um mundo pequeno dentro do grande mundo. Deveríamos ter em consideração as normas deste pequeno mundo das coisas quando deliberadamente quisermos criar algo para as crianças, em vez de preferirmos que a nossa actividade, com tudo quanto nela é requisito e instrumento, encontre, por si mesma, o caminho que a elas conduz. "